domingo, 23 de novembro de 2008

A Questão do Bom ladrão

A Questão do Bom ladrão



Muitas vezes, a passagem de Lucas a respeito do “bom ladrão” é utilizada, principalmente, pelos nossos detratores de plantão, para sustentarem a idéia de que não existe a reencarnação. Não querendo entrar detalhadamente neste assunto, apenas gostaríamos de dizer para aqueles que não a aceitam, que vejam como ela é obvia nas seguintes passagens:
Mt 17,12: Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.
Mt 11,14-15: E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Jo 3,3: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Jo 3,7: Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
Vemos que, infelizmente, muitos ainda não “têm ouvidos de ouvir”. Não compreendemos como podem conceber uma Justiça Divina sem a reencarnação. Já que, para nós, a reencarnação é o único meio de “sermos perfeitos como o Pai Celestial” (Mt 5,48), conforme nos recomenda Jesus, a não ser que Ele nos tenha ensinado algo que não pudéssemos fazer, o que seria um absurdo.
Voltando ao que nos propomos, achamos por bem fazer uma análise desse episódio, para que possamos encontrar a verdade. Vamos, então, às narrativas bíblicas sobre tal acontecimento, tiradas da Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão:
Mt 27,44: “E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele”.
Mc 15,32: “Também os que com ele foram crucificados o insultavam”.
Lc 23,39-43: “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: 'Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também'. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: 'Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez'. E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino'. Jesus lhes respondeu: 'Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso'”.
Jo 19,18: “Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio”.
Ressaltamos que se a Bíblia, segundo dizem, é totalmente inspirada por Deus por que não narram os Evangelistas os mesmos fatos? Ora, se a fonte de inspiração é de uma mesma origem, Deus, deveriam ser tais narrativas completamente iguais, pelo menos quanto ao fundo. Poderemos até aceitar palavras diferentes, mas não com divergências quanto ao fato ocorrido; e aqui ele é narrado de forma diferente, conforme iremos observar a seguir:
1 – Quanto ao diálogo:
Mateus, Marcos e João nada relatam de qualquer diálogo entre os três crucificados.
2 – Quanto à atitude:
Mateus e Marcos dizem que os ladrões estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus teria dito para um deles que “hoje estarás comigo no Paraíso”.
3 – Quanto à testemunha:
João que estava ao pé da cruz, ou seja, a testemunha ocular, nada diz sobre este diálogo de Jesus com um dos ladrões.
Por curiosidade, vamos ver como essa frase aparece nas Bíblias de outras editoras:
Mundo Cristão: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
Vozes: “Em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no paraíso”.
Pastoral: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no paraíso”.
Ave Maria: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso”.
Barsa: “Em verdade te digo: que hoje serás comigo no paraíso”.
Loyola: “Eu te asseguro: hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.
Perguntaríamos, então, qual delas é a frase mais verdadeira? Enquanto algumas dizem “em verdade”, outras dizem “eu garanto” e “eu te asseguro”, apesar dessas Bíblias terem como origem o mesmo segmento religioso.
Por outro lado, vários outros autores confirmam o que o Dr. Severino Celestino da Silva disse em seu livro Analisando as Traduções Bíblicas:
Sabemos que os manuscritos originais do Novo Testamento não possuíam pontuação, e em face do fato de o grego clássico (incluindo o grego koiné, no qual foi escrito o Novo Testamento) gozar de ampla liberdade no tocante à ordem das palavras, é impossível, à base do próprio texto grego, provar um lado ou outro dessas idéias contraditórias. (SILVA, 2001, pp. 309-310)
Assim, não fica difícil entender que nas traduções colocaram a pontuação conforme a conveniência de cada tradutor.
Analisando, especificamente essa frase, e, se admitirmos que isso realmente tenha acontecido, teremos uma contradição de Jesus, pois Ele mesmo disse: a cada um segundo suas obras. (Mt 16,27). E, quando do episódio com Madalena, após sua ressurreição, disse Ele a esta mulher: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17). Ora, se Jesus, três dias após sua morte, ainda não tinha subido ao Pai, como Ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão”, que hoje estarás comigo, ou seja, justamente no dia de sua morte na cruz?
Por outro lado, o “bom ladrão”, ao reconhecer que “nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez”, ele está aceitando a justiça dos homens, e por mais forte razão, aceitaria a Justiça de Deus que lhe daria uma pena merecida. Assim, podemos concluir também que ele não estava pedindo uma recompensa por algo que não tivesse feito, mas, apenas que Jesus se lembrasse dele quando voltasse; certamente visando o perdão dos seus pecados, não é mesmo?
Além disso, o dito “bom ladrão” (e, diga-se de passagem, é o único ladrão bom da história da humanidade) somente reconheceu que ele e o outro tinham motivos para morrerem crucificados, e que Jesus era um inocente sendo condenado; assim, já que não houve nem mesmo um simples arrependimento, por parte dele, por que o prêmio?
Narra Mateus (20,20-23) que a mãe dos filhos de Zebedeu chega a Jesus com o seguinte pedido: “Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino”. Não vemos Jesus atendendo ao pedido desta abnegada mãe; ao contrário, disse-lhe: “Mas quanto a vos sentardes à minha direita ou à minha esquerda, não me cabe concedê-lo, porque estes lugares são destinados àqueles para os quais meu Pai os reservou”. Ora, se aqui Jesus afirma que não cabe a Ele conceder um lugar no Paraíso ou reino dos céus, como, então, promete um lugar ao “bom ladrão”? Será que Ele estaria contradizendo-se? Acreditamos que não, pois tanto nesse caso, quanto no outro, teria que agir sem conceder qualquer tipo de privilegio, ou seja, “a cada um segundo suas obras”.(Mt 16,27).
Não bastassem os fatos acima, uma análise cuidadosa da cena do Calvário revela que o ladrão pode não ter morrido naquele mesmo dia, pois João (19,31-33) nos diz: "Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a Preparação (pois era grande o dia de Sábado), rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e que fossem tirados. Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas do primeiro, e ao outro que com ele fora crucificado; mas, vindo a Jesus, e vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas".
Arnaldo B. Chistianini aborda a questão do costume de quebrar as pernas em seu livro Sutilezas do Erro, de onde transcrevemos:
Por que "quebrar as pernas" dos justiçados? Porque o crucificado não morria no mesmo dia. Cristo foi caso excepcional e sabemos que não morreu dos ferimentos ou da hemorragia, mas de quebrantamento do coração. Morreu de dor moral por suportar os pecados do mundo. Mas os outros, não, e as crônicas descrevem o condenado esvaindo-se lentamente durante dias.
Diz, por exemplo o comentário de J. B. Howell:
"O crucificado permanecia pendurado na cruz até que, exausto pela dor, pelo enfraquecimento, pela fome e a sede, sobreviesse a morte. Duravam os padecimentos geralmente três dias, e às vezes, sete." (1)
É óbvio que os homens de maior robustez física duravam até sete dias na cruz. No caso em tela, os judeus, não permitiram que se conservasse um criminoso na cruz no dia de sábado, pois consideravam um desrespeito à santidade do dia de repouso.
"De acordo com o costume, quebravam as pernas dos criminosos depois de os haverem removido da cruz, deixando-os estendidos no chão, até que o sábado passasse. Depois do sábado haver passado, sem dúvida esses dois corpos foram outra vez amarrados na cruz, e lá ficaram diversos dias, até morrerem..."
Se era necessário quebrar as pernas aos dois malfeitores, antes do pôr-do-sol, é porque não haviam, morrido ainda. Na pior das hipóteses viveram ainda, pelo menos, um dia a mais que o Mestre. Como podia, um deles, estar no mesmo dia junto de Jesus?
(1) E. Howell, Comentário a S. Mateus, pág. 500.
(CHISTIANINI, 1965, pp. 274-275).
Se era necessário quebrar as pernas aos dois malfeitores, antes do pôr-do-sol, é porque não haviam morrido ainda. Na pior das hipóteses, viveram ainda pelo menos um dia a mais que o Mestre. Como podia, um deles, estar no mesmo dia junto de Jesus?
Já falamos, várias vezes, mas não custa repetir. Coloquemos a frase do seguinte modo: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso. Veja como uma simples vírgula muda completamente o sentido do texto... Desta forma, é muito mais condizente com a Justiça Divina, pois um indivíduo somente irá para o Paraíso, quando tiver realizado as obras que justifiquem merecê-lo, não importando quanto tempo levará para isso.
Também não estaria em conflito com o texto: “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, ...” (1Pd 1,17). E, para reforçar que Deus não faz mesmo acepção de pessoas, pedimos para consultar: Dt 10,17; 2Cr 19,7; Jó 34,19; At 10,34; 15,9; Rm 2,11; Ef 6,9 e Cl 3,25.



Projetokumbaya@hotmail.com

Participe e de sua opinião: http://projetokumbaya.blogspot.com/


Bibliografia
Bíblia Anotada, São Paulo, Mundo Cristão, 1994.
Bíblia Sagrada, Edição Barsa, 1965.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 14ª Impressão 1995.
Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 37ª Edição, 1980.
Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1989, 8ª Edição.
DA SILVA, S. C. Analisando as Traduções Bíblicas, João Pessoa: Idéia, 2001.
CHISTIANINI, A. B. Sutilezas do Erro, Santo André, SP: CPB, 1965.

RELACIONAMENTO ENTRE SOLTEIROS


RELACIONAMENTO ENTRE SOLTEIROS


Propósito: Esse estudo visa estabelecer bases claras para o relacionamento entre os solteiros, de tal forma que possam cumprir o propósito de Deus para suas vidas constituindo famílias alicerçadas sobre princípios bíblicos e que glorifiquem a Deus através de seu testemunho.
Além disso, visa uniformizar a visão e a prática sobre esse assunto entre as congregações vinculadas ao ministério do Jamê. Dessa maneira, cremos que muitos problemas serão evitados quando os solteiros dessas diversas congregações estiverem se relacionando.


Prefácio: Deus tem restaurado a Sua Igreja. Quando afirmamos isso, estamos querendo dizer que Ele está restabelecendo verdades que se perderam com o passar dos séculos e excluindo outras práticas e conceitos que foram agregados à vida do Corpo de Cristo e que nada tem haver com o plano original de Deus para ela.
Precisamos ser humildes o suficiente para reconhecer que muitas das nossas práticas não são coerentes com o ensino bíblico e que nossa pregação, nossos conceitos e nosso estilo de vida estão impregnados do Humanismo (“o que vale é o que o Homem sente e o importante é a sua felicidade”) e do Secularismo que o mundo dita como regra.
Portanto, torna-se cada vez mais urgente que retornemos às verdades e ao padrão estabelecido pelo Senhor para sua Noiva, afim de vê-la sem mancha e sem ruga (Ef. 5:27), pronta para receber o Noivo.
Isso exigirá de nós coragem e perseverança para resistirmos à tentação de conduzir a Igreja segundo nossos próprios conceitos ou cedermos aos apelos feitos pela maioria para que abaixemos o padrão estabelecido por Deus (Rm 12: 1 e 2; Ef. 4:1).
Nós não temos autorização e nem autoridade para isso.
Que o Senhor nos capacite a nos manter firmes na carreira que nos está proposta. Amém.


Introdução: Depois da queda do Homem, todos os seus padrões de comportamento foram alterados. O pecado de independência (“Faço a minha vontade”) distorceu no ser humano os conceitos de negócios, família, Igreja, relacionamento com Deus, casamento (Ex: o casamento deixou de ser um estado para ser uma situação – Não sou casado, estou casado), etc. Com isso, suas decisões o levam a colher resultados fora da vontade de Deus que, às vezes podem ser revertidos e em outras vezes são irreversíveis.
Uma das verdades que tem sido restaurada nesses últimos anos é que Jesus veio para ser Senhor de nossas vidas e não apenas nosso Salvador.
Isso implica em saber que a partir do momento que O recebemos em nossas vidas como Senhor, passamos a obedecê-lo incondicionalmente, fazendo não a nossa, e sim a Sua vontade.
Entendemos que esse assunto (Com quem vou passar o resto da minha vida?) é o mais importante, depois da nossa decisão por Jesus e, portanto, só pode ser entendido e praticado de maneira conveniente por aqueles que já estão no Reino de Deus e assumiram sua condição de discípulos de Jesus, recebendo-O como Senhor de suas vidas (Lc. 14:28; Mt. 7: 24 a 27).


Padrão do mundo: O mundo estabelece um conceito e um padrão para o relacionamento entre os solteiros e o define como NAMORO.
Entende-se como namoro aquele período de relacionamento onde as pessoas, implicitamente, adquirem certas “liberdades” que não teriam como amigos.
Beijar e abraçar de maneira sensual, trocar carícias íntimas e até a prática de relações sexuais são aceitos normalmente pela sociedade atual como sendo parte do processo natural desse relacionamento.
O nível de comprometimento entre as partes é muito superficial e o fato de terem esse grau de intimidade não garante um relacionamento estável e duradouro. Tudo é pensado de forma imediatista, onde o que vale é o agora, o prazer do momento, não se tendo nenhuma perspectiva de médio e longo prazo.
As ações e os pensamentos são direcionados para a busca da satisfação física e emocional de cada um.
O termo Namoro, no mundo, poderia se assim definido: ...”desejar muito, apaixonar-se, seduzir, olhar com insistência e cobiça."
Dessa forma, seu significado é: impureza, fornicação, sensualidade, superficialidade, passatempo (Gl. 5:19).
A escolha do parceiro (a) é orientada por padrões de beleza, bens, cultura, status e tudo aquilo que possa trazer algum tipo de benefício próprio.
Vale lembrar que, de alguns anos para cá, surgiu o FICAR que pode ser definido nas mesmas bases do namoro, porém, sem nenhum compromisso ou responsabilidade entre as partes e, geralmente, com duração de uma noite (Ex: Festa do “Cala boca e me beija”).
Existem, também, os que se dizendo ”entendidos no assunto” orientam para que os jovens não sejam promíscuos, mas busquem “o melhor momento”, “o parceiro certo”, “ouçam aquilo que o seu coração diz” e “nunca se relacionem sexualmente sem preservativos”.


Padrão de Deus: Diante do que foi exposto, fica claro que o padrão de relacionamento entre solteiros que amam o Senhor deve ser bem diferente.
As motivações, os alvos, as atitudes e as bases devem ser todas elas orientadas pela Palavra de Deus (Ec. 3:1 a 8, 11:9; I Co 13).
Gostaríamos, portanto, de sugerir algumas questões que julgamos importantes para um relacionamento sadio entre os solteiros.

1) Qual o termo mais apropriado para definir meu relacionamento?
O mais indicado é usarmos o termo Amizade com Compromisso para definirmos esse relacionamento. O termo Namoro não é o mais indicado para essa primeira fase, pois nos leva a pensar nele segundo os conceitos do mundo, conforme o exposto acima.
Mas, gostaríamos de fazer um ressalva sobre o termo: No dicionário, ele também aparece como “... galantear, cortejar, atrair, cativar, inspirar, ficar encantado, etc.” que seriam significados positivos da palavra. Portanto, poderíamos afirmar que, deste ponto de vista, o termo se aplicaria perfeitamente a uma outra fase do relacionamento, ou seja, depois do casamento. Nessa etapa (depois de casados) devemos estimular o romantismo entre os cônjuges, como uma das formas de estabelecer um casamento sadio (A ordem correta é: NOIVADO – CASAMENTO – NAMORO).

2) Posso começar um relacionamento sem alvos definidos ou apenas para satisfazer minhas necessidades emocionais?
Não. No Reino de Deus não existe espaço para relacionamentos sem alvos definidos (curto, médio e longo prazo). Além disso, o discípulo de Jesus deve entender que esse relacionamento visa cumprir o propósito e as expectativas de Deus e não apenas ser um passatempo passageiro ( não visa satisfazer as carências do Homem).

3) Posso me relacionar com alguém que, apesar de não ser um discípulo, é uma pessoa honesta, amável, trabalhadora, respeitosa e responsável?
A Palavra de Deus é bastante clara quanto aos perigos de um relacionamento misto, onde uma das partes não é um discípulo ou não tem Jesus como Senhor de sua vida. Textos como Ne 13: 23 a 28, I Co 7:39 e II Co 6:14 e 15, nos mostram que Deus só pode abençoar um relacionamento construído na mesma base de submissão à Sua vontade, onde ambos estão no Reino de Deus.
Portanto, não devemos buscar relacionamentos que visam o casamento com pessoas incrédulas ou neófitas, por melhores que pareçam ser.
O casamento deve ser entendido em três âmbitos: espiritual, emocional e físico. No incrédulo, só existem dois: emocional e físico.

4) Quais são as etapas desse relacionamento?
Antes de entrar nas etapas, vale lembrar que elas não são estáticas, e sim, dinâmicas e que, mesmo tendo observado todas elas, o elemento DÚVIDA pode surgir em um aspecto ou outro, pois não temos a visão do todo.
Não podemos ignorar que os sentimentos existem, afinal não estamos tratando de um acordo comercial. Porém, não podemos, também, nos deixar guiar por eles.

a) Amizade: Nessa etapa deve existir um relacionamento rico em comunhão, amizade, oração, evangelismo, lazer (passeios, lanches, esportes, etc.). É um período onde a prioridade é aprender a ser cavalheiro ou feminina, estudar, a ser organizado (quarto, roupas, tempo), submisso (pais, professores, líderes), dar um bom testemunho e ter seu caráter tratado (orgulho, vaidade, mentira, serviço, mansidão, etc.). Tempo para aprender a ouvir a Deus através de Sua Palavra, aprender a falar com Deus através da oração. É tempo de se preparar para um relacionamento futuro (Pv. 24:27). É o momento ideal para manifestar disposição em submeter o desejo de casar a Deus (Mt. 6:33; Ct. 2:7, 3:5, 8:4; Sl. 37:4 e 5).

b) Amizade com observação: Nesse ambiente de amizade pode surgir algum interesse especial. Essa observação deve ser com os olhos (não com a boca e nem com as mãos). É o tempo de orar especificamente, buscar conselho com os pais e discipuladores (Ef. 6:1 e 2; Hb. 13:17). Deve-se ser discreto para não deixar marcas emocionais nos envolvidos. Não deve ser buscado apenas com o intuito de suprir carências emocionais. Cuidado com os flertes, “paqueras” e “cantadas” que não manifestam um interesse verdadeiro e podem mexer com os sentimentos do outro (Pv. 26:18 e 19).
O que observar? Atitudes, reações, hábitos, trato c/a família, planos e alvos. Neles – Se é amoroso, não egoísta, não iracundo, decidido, trabalhador, serviçal, responsável, com iniciativa, fiel, seguro, cheio de fé, fervoroso, se é higiênico, se ronca , se tem mau hálito, chulé, etc.
Nelas – Não reclamona, trabalhadora, responsável, submissa aos pais, organizada, feminina, discreta, higiênica, etc.
Todos os itens observados em um podem ser observados no outro.
Uma vez observados esses pontos devemos nos perguntar:

- É o tempo de Deus?
- Já a(o) conheço o suficiente? (Relativo aos ítens acima)
- Tenho segurança de meus sentimentos?
- Sei qual é a direção de Deus para mim?
- Essa é a pessoa com quem quero me casar?

c) Amizade com compromisso: Se a resposta a essas perguntas for “não”, devo me afastar sem deixar marcas ou feridas e manter apenas a amizade. Porém, se a resposta for “sim”, significa que estou convicto de meus sentimentos, intenções e estou pronto para ir adiante no meu relacionamento. Podemos definir amizade com compromisso como sendo o relacionamento entre um rapaz e uma moça que pretendem se casar. Podemos dividir essa etapa em duas: Antes e depois.

Antes: Para assumir um compromisso é necessário que o rapaz se declare para moça. Porém, recomendamos que as primeiras pessoas a serem consultadas, depois dos pastores e discipuladores, devem ser os pais da moça. Isso não está ligado a qualquer “acerto para o casamento” e sim, à demonstração de honra e respeito à autoridade daqueles que primeiro exercem essa função na vida dela. Além disso, pode poupar o rapaz de situações embaraçosas, caso a moça tenha outra pessoa em vista. Apesar de todos esses cuidados, é bom lembrar que, ao se declarar para ela, ele pode não ser correspondido. Mas, ele terá que correr o risco de levar “um fora”. Uma outra situação é que ele pode estar concorrendo com mais de uma pessoa pela chance de se comprometer com a “eleita” (enquanto ela não se definir você deve se considerar no “páreo”). De qualquer maneira, existem algumas dicas importantes para se observar: Não tenha receio de levar um “fora” ou de “perder” a moça para outro interessado. Isso não deve abalar sua fé e nem desanimá-lo para outras possibilidades. Lembre-se que é o Senhor quem escolhe a noiva (Pv.19:14) Por outro lado, aquele(a) que sabe que está sendo observado(a) não deve brincar com os sentimentos da(o) interessada(o) dando a impressão de que corresponde ao interesse (Mt. 5:37). Não iluda, não despreze, não machuque. Trate todos com honra e sejam amigos, sempre deixando claro que não há nada mais do que isso (Cuidado com as carências).

Dados todos esses passos e havendo interesse recíproco, é hora de oficializar o compromisso. Isso deve acontecer de maneira pública (diante da congregação) e, se possível, com troca de alianças (noivado). É necessário que já exista, ao menos, um prazo estabelecido (não muito longo) para o casamento e metas para que esse prazo seja cumprido. Os noivos devem ser acompanhados pelos discipuladores, que os ajudarão a cumprir as metas estabelecidas como, por exemplo, onde morar, o que falta comprar, preparativos para o dia do casamento, propósito para a família, papel de cada cônjuge, etc..



Depois: Uma vez oficializado o compromisso, os noivos devem trabalhar a fim de alcançar as metas e o alvo final do casamento. Nessa etapa do relacionamento, eles deverão observar, mais do que nunca, os princípios de Santidade e Pureza que os guiará a uma conduta dentro da vontade de Deus (I Tess.4:3 a 7; Hb 12:14; Mt 5:8). Não podem se esquecer que, até o dia do casamento, são solteiros (irmãos em Cristo) e devem se portar como tal. Isso implica que não devem trocar carícias e beijos que estimulem a sensualidade ou os façam defraudar um ao outro. A regra é: Só devo fazer aquilo que faria se estivesse na frente dos pais dela(e), ou, não farei em oculto o que não faria diante dos outros (Pv. 20:21). Também, não devem se isolar ou ficar sozinhos em lugares desertos. A palavra de Deus nos fala de fugirmos da aparência do mal (I Tess. 5:22), portanto, não devemos dar brechas para que o inimigo se aproveite da situação e nos faça pecar. É um tempo para exercitar o domínio próprio (fruto do Espírito). Todas as vezes que há defraudação, o resultado é um conflito moral e um sentimento de acusação que nos impede de desenvolvermos integralmente nosso chamado e interrompe nossa comunhão com Deus e com os irmãos. É preciso que haja, rapidamente, arrependimento, confissão e uma mudança nas atitudes e hábitos para evitar novas situações semelhantes.

5) Existem exemplos desse tipo de relacionamento na Palavra de Deus?
Temos pelo menos quatro exemplos bíblicos que ilustram bem o tipo de relacionamento e de compromisso que Deus espera de seus filhos.

- Adão e Eva (Gn. 2:18 a 24)
- Isaque e Rebeca (Gn. 24)
- Jacó e Raquel (Gn. 29)
- José e Maria (Mt. 1 e 2; Lc. 1)

Nesses exemplos existem vários princípios e lições a serem tiradas. Queremos destacar alguns que são comuns entre eles:

a) Estavam envolvidos com Deus e com a Sua vontade;
b) O relacionamento visava, primeiramente, satisfazer a Deus;
c) Havia maturidade (física, emocional, espiritual, profissional);
d) Não buscaram o jugo desigual;
e) Confiaram e deixaram que Deus escolhesse;
f) Tinham um bom relacionamento com as suas famílias;
g) Os princípios de autoridade e submissão eram claros para eles;
h) Tinham idoneidade e responsabilidade;
i) Os noivos “pagaram o preço “ pelas suas noivas (valorizaram);
j) As noivas eram hospitaleiras, prestativas e submissas;
k) Não eram mulheres volúveis;
l) Os noivos eram trabalhadores e determinados;
m) Eles tinham proposta e alvos claros para o relacionamento.



6) E se, apesar de ter dado todos esses passos, chegar a conclusão de que fiz uma escolha errada para o casamento?
Não tome nenhuma decisão precipitada. É possível que seja apenas um conflito de emoções e sentimentos. Busque conselho com seu(sua) discipulador(a).
Se, porém, chegarem à conclusão de que não devem se casar, podem e devem desfazer o compromisso. Melhor que isso aconteça antes do que um fracasso no casamento (decisão irreversível).
Essa decisão deve ser comunicada publicamente para que toda a congregação saiba que não estão mais comprometidos e livres para um novo relacionamento.
Se o compromisso foi desfeito porque uma das partes foi leviana ao se comprometer, os líderes daquela pessoa deverão corrigi-la devidamente.
Cremos, contudo, que situações como essa serão extremamente raras, devido as etapas estabelecidas nesse relacionamento.


Resumindo:

Por tudo aquilo que vimos até aqui, podemos concluir que:

 O ambiente ideal para que os relacionamentos sejam confirmados deve ser aquele onde haja muita amizade, companheirismo, convivência, etc., ou seja, no meio do Corpo de Cristo.

 Nenhum jovem deve se comprometer, sem que antes tenha se definido e amadurecido nas seguintes áreas:
a) Física e moral – Uma pessoa em formação não pode assumir nenhuma responsabilidade como um casamento;
b) Emocional – Estável nos relacionamentos com sua família, sociedade, negócios, etc.;
c) Profissional – Ter condições mínimas de sustentar e dar uma vida digna para sua futura família;
d) Espiritual – Ter descoberto sua posição no Corpo, sua função e estar envolvido na vida de serviço e de comunhão da Igreja. A mulher foi chamada para ser auxiliadora idônea do homem, por isso a importância de que ele saiba qual é a sua missão, para que ela possa auxiliá-lo nesse serviço.

 Fica claro que novos convertidos não estão aptos para assumirem esse tipo de compromisso.

 Não há base bíblica para relacionamentos fora do Corpo de Cristo (jugo desigual). A igreja não pode abençoar aquilo que o Senhor de antemão desaprova.

 Devemos evitar todo o tipo de “torcida organizada”, dando os famosos “empurrões” e incentivando relacionamentos que ainda não estão amadurecidos no coração do rapaz e da moça. Isso pode causar constrangimentos e pressioná-los a tomar decisões, às vezes, irreversíveis.

 Os pastores devem resistir às pressões para baixarem o padrão estabelecido por Deus. Há um raciocínio no mundo onde o ERRADO passa a ser COMUM que passa a ser NORMAL. Corremos o risco de perder a postura de repulsa e considerar certos pecados como inevitáveis. Define-se PROFANO como aquilo que está entre o SANTO e o IMPURO (É o comum).

 Os pais devem ser muito cuidadosos ao tratarem desse assunto, para não brincarem com os sentimentos de seus filhos ou gerarem algum tipo de ansiedade neles (Ex. “ Eu queria tanto que você se casasse com fulana(o))”.

 O relacionamento comprometido deve ser pautado por princípios de Santidade e Pureza, de acordo com a Palavra de Deus.

 Deve existir proposta e alvos claros no relacionamento para que este não se perca por falta de objetividade, torne-se muito longo e não aponte para o casamento. No reino de Deus não existem “namorinhos”.

 Os casos de novos convertidos, que chegam no Reino na condição de namoro, deverão ser analisados pelos pastores individualmente.


Missão e projeto Kumbaya .